Cinema

El Clan

2015 - El ClanEste é o filme argentino indicado ao próximo Oscar.

Os argentinos têm feito muitos filmes bons ultimamente: El Segredo de Tus Ojos (que tem uma versão americana lançada este mês, com a Julia Roberts e a Nicole Kidman, que eu não vou me dar ao trabalho de tentar assistir), Relatos Salvajes (que já está há mais de um ano nos cinemas aqui em São Paulo), Papeles em el Viento. Quando aparce um filme argentino do qual estejam falando bem, eu logo me animo a vê-lo.

Diferente dos filmes brasileiros, principalmente aqueles com logo de produção da Globo Mídia, Telecine e coisas assim. A cada dia que passa mais me enfadam. Parecem aquelas produções mal feitas do núcleo de novelas da Globo. Estou convencido de que esse povo se mete a fazer cinema porque a mamata da captação de recursos com doações é muito grande. As empresas querem doar para faturar com propaganda positiva em cinema um dinheiro que, de outra forma, pagariam de imposto. E não querem doar para produções independentes das quais não sabem se terão retorno. O que fazem então? Doam para essas empresas do grupo Globo. Ao menos sabem que apareceram alguns segundos numa sessão de filmes perdidos na televisão de madrugada. São mal escritos, mal dirigidos, mal produzidos, tecnicamente (som, imagem, efeitos) são coisa de amadores. E os atores que usam, quase todos, só podem estar ali por favor de algum conhecido, tão ruins são.

Foi por isso que, das opções que sobraram na noite de sábado, depois do trabalho, escolhi este. Contribuiu passar no cinema do shopping perto de casa e lá ter café e restaurante para me distrair e escrever um pouco.

Esse tiro quase saiu pela culatra (alguém ainda sabe o que é culatra?) porque me esqueci que era dia de show do David Gilmour e o entorno do shopping, que é vizinho ao estádio, estava interditado.

No fim, tudo bem, inclusive pelo filme que é muito bom. Uma pena so não terem me atendido no café. O garçom me ignorou para atender uma atriz da Globo que chegou logou depois de mim. Atendeu-a e sumiu, o incompetente.

Tive de pegar uma cerveja com batatinhas na lanchonete do cinema.

Cinema

Fargo

Mind if I sit down? I’m carrying quite a load here.

1996 - FargoPerder a tarde de sábado no trabalho dá nisso. Só presta para atualizar minhas listas no LetterBoxd, olhar alguns rascunhos do blog (no fim das contas, já são 18:00 e ainda não os olhei) e assistir um filme no Netflix.

Principalmente quando há vinte pessoas na sala para trabalhar e só meia dúzia de tomadas. Até tentei fazer algo produtivo. Li uns emails, alguns artigos técnicos. Trabalho mesmo não havia. Estávamos ali apenas para “vai que…”

Quando a bateria do telefone acabou e não havia tomada disponível para mim, comecei uma pequena busca pelas baias de secretárias fora da sala, mas estavam todas desenergizadas.

Isso não me revoltou porque revoltado eu já estava. Voltei para a sala onde estavam os outros e vi uma televisão no canto. É usada para videoconferências. Dei a volta nela, estava ligada a uma extensão junto com o resto do equipamento de videoconferência. Tirei um deles a olho da tomada, liguei meu notebook em seu lugar, pousei-o no chão e saí para me distrair.

Peguei um café, procurei uma sala vazia. Havia muitas, isso não falta mesmo durante a semana, mas só duas com a porta destrancada. A primeira delas fica numa quina do prédio que dá para o rio e um bairro residencial, as paredes são de vidro e tem terraço

Fucei como chegar no terraço. A porta para lá, atrás de uma persiana que ia do teto ao chão, estava trancada. A fechadura vagabunda, fácil de se abrir forçando, acho que ficava trancada por medo de alguém tentar se matar. Há várias lendas urbanas de funcionários que pularam deste prédio.

Eu não queria me matar, só tomar ar, mesmo que tomasse chuva junto.

A planta da sala é dessas modernosas. Dois quadrados unidos, com uma intersecção, formando uma espécie de oito. O quadrado à direita da porta, fica meio escondido pela parede. O que está de frente para ela, em compensação recebe um pouco mais de claridade. Ali há uma mesa de reunião com quatro cadeiras. Puxei uma para a frente do vidro e pousei o telefone no barrigão que serviria de rack.

Este filme eu tinha começado há alguns dias atrás, mas interrompi quando chegou a hora de dormir. Foi minha primeira opção para esta tarde. Não tive dúvida. Pulei só o começo, a primeira meia hora, não toda a parte que já tinha assistido. No dia em que o comecei, acho que estava cansado e não prestei muita atenção. Agora prestei melhor. Realmente melhor. Coisas em que não vi graça antes, fizeram sentido.

Café acabou, saí para pegar outro, mas primeiro fui ao banheiro. Sentei-me na privada e usei o telefone para ler um livro no aplicativo do eReader. Falta do que fazer, li um capítulo todo. Sentimento de culpa, acho. Faz quase um ano que comecei esse livro e ainda não acabei, embora tenha gostado muito. Ando com preguiça de ler. Com esse capítulo (o 41), faltam mais nove.

Saindo do banheiro, peguei um café e voltei para a sala. A dois ou três passos da porta, ouvi uma voz sussurrada, à direita dela, naquele quadrado que fica escondido atrás da parede. Olhei discreto. Um casal, ela com uniforme da faxina, ele com o da manutenção predial, começava a namorar. Esqueceram-se de fechar a porta, ou acharam que não havia ninguém no andar, ou não pretendiam se demorar muito.

Dei a volta no corredor circular e achei a segunda sala vazia. Era também de quina, para a mesma avenida, mas sem se ver tão bem o imundo rio. Os vidros dessa dão para o comércio. É maior que a primeira mas a planta tem o mesmo padrão.

No pedaço escondido pela parede, sentei-me, tirei os tênis, pés descalços, meias brancas de pobre, sobre a mesa. Equilibrei o telefone em pé sobre ela também. A posição na cadeira e a sala escura podiam me deixar com sono, achei que ficaria, mas não. Se bem que dois colegas entraram procurando um lugar pra conversar em particular e, encabulados, saíram rápido evitando olhar na minha direção, pedindo desculpas em voz muito baixa por atrapalharem “meu descanso”.

Em vez de sono, só fiquei com o pescoço um pouco dolorido, endurecido, pela posição que me obrigava a torcê-lo para assistir direito. Coisa de quem está ficando velho. Espreguicei-o e tomei o cuidado de terminar o filme virado ao contrário para torcê-lo para o outro lado.

Terminei o filme achando-o bom. Muito bom. Embora esperasse mais dele. Ganhou Oscar acho que de roteiro e de direção. Eu esperava mais. Mas é bom.

Enfim, hora de fingir que ligo, pegar o notebook que ficou na tomada da televisão e voltar ao trabalho. Escrever alguma coisa sobre isso, já que não há nada para fazer.

You should see the other guy.

Fargo (1996) – trailer

Cinema

Alphaville

Il n’y a que la present; personne n’a vécu dans le passé; personne ne vivra dans le future.

1965 - AlphavilleFinalmente um filme deste cara que eu achei muito bom.

Eu já estava desanimando, me convencendo de que ele era uma fraude alimentada pelas pessoas que se acham superiores por apreciar coisas esquisitas. Mas me lembrei de ter visto algum pedaço deste há muito tempo atrás na televisão. E me pareceu um filme normal. Normal no sentido de não ser uma mistura bizarra de experiências.

Não tenho nada contra experimentar. Muito pelo contrário. Música, por exemplo. As bandas de que mais gosto são as experimentais dos anos 70. Não me ponho a assistir algo, seja música ou filme, pra perder tempo com a cópia de algo que eu já conheço.

O problema é que experiência é experiência. Não é certeza de que dê certo. Se não der certo, faça de novo, de outro jeito, até acertar.

Neste aqui, gostei dos atores, do roteiro, da maior parte das imagens. Embora algumas cenas, como nos closes, tenham me parecido amadores. Os atores olhando a lente e falando seu roteiro de uma forma falsa, que se percebia que não dialogavam de verdade.

O som também. O som é sempre o pior nesses filmes. Aquelas pancadas no piano para assustar nos momentos de suspense, ruído branco.

Este eu ainda vou ver de novo. Estava cansado. Foi difícil. Essa história de noir, por mais legal que seja, cansa e da sono.

Je vais très bien, merci, je vous en prie.

Alphaville (1965) – trailer

Cinema

El Club

2015 - El ClubOpa, filme errado!

Digo, este é mesmo o filme que eu assisti. Mas só porque assisti o filme errado. Ou não. Deixa explicar.

O título, o pôster, o diretor e os horários no site do cinema eram mesmo deste filme. A sinopse também. Mas o elenco e acho que os comentários estavam trocados. Pensando bem, agora, acho que eram do último filme do Woody Allen.

Eu pensei: “O filme é chileno, de um diretor que eu nunca ouvi falar. Mas com esse elenco… Estranho tantos americanos num filme chileno, mas vai entender… Comentários positivos… Vou arriscar.”

A sala do cinema toda para mim. A menina da bilheteria me confirmou: “Sim, o sistema não está zoado. Todos os assentos estão em verde mesmo. O filme já está começando e ainda não chegou mais ninguém para ver.”

Bom para mim é meu já tradicional café. Ruim para os funcionários que iam ter de trabalhar até o fim da sessão (a última sessão, terminava mais de uma da manhã) só por minha causa.

O filme acabou me saindo bom. Talvez o melhor da semana.

Impagável a cena do cara à porta dos padres. Lembrou-me de muitos loucos que já conheci e de muitos barracos que já vi.

Na saída, até vi dois funcionários do cinema assistindo o filme de braços dados na última fila. Afinal, o cinema não era só meu.

El Club (2015) – trailer

Cinema

Pierrot le Fou

Allons-y, Alonso.

1965 - Pierrot le Fou

Embora muita coisa não tivesse pé nem cabeça, eu gostei deste.

Muita coisa deste cara me parece infantil de tão óbvia.

Foi engraçado que, na saída da sala, eu disse isso e um sujeito ficou me olhando pasmo, boca aberta, queixo caído.

Na verdade, o termo que usei foi ele ser “infantilóide”. Nem entrei muito em detalhes do porquê. Bom, talvez tenha entrado.

Talvez isso tenha ofendido os fans mais hardcore.

Pierrot le Fou (1965) – trailer

Cinema

Wild Man Blues

1997 - Wild Man BluesIsto aqui é um documentário sobre uma viagem do Woody Allen para a Europa (Veneza e, antes, algum lugar na Espanha, se bem me lembro). Já têm algumas semanas que assisti antes de postar.

O cara aproveitou a viagem ao Festival de Cinema de Veneza, em que seria homenageado, para se apresentar por lá com sua New Orleans Jazz Band. Ela é um grupo de jazz na no estilo do ragtime, que é um estilo bem antigo e tradicional de jazz de Nova Orleans, que usa clarinetes, trompetes e trombones. Eles mesmo toca clarinete. Inclusive seu pseudônimo, Woody, ele pegou de um famoso clarinetista dos anos 30 e 40.

É um documentário. Cenas dele se apresentando, se preparando para as apresentações, indo a eventos aos quais ele nem sempre tem vontade de ir, sentado no quarto do hotel reclamando de não ter uma vida normal e de seus filmes preferidos não terem sucesso.

É interessante, mas dá pra viver sem. Eu provavelmente não teria assistido se não viesse no final do box. Provavelmente está lá só para arredondar o número de filmes.

Bom, com este acabou o box, hora de partir para outro. Os próximos filmes do Woody, eu posso ver no Nextflix, mas vou esperar um pouco para assistir algumas coisas diferentes. Estou entrando de novo naquela fase de querer ver coisas antigas.