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Lembro-me de como doía-me a mão direita de segurar o lápis para escrever. Sempre segurei-o com muio mais força do que devia. Também sempre demorei muito mais do que devia para escrever. Apertava os dedos contra o lápis e ele contra o papel. Isso já acabou. O que me cansa agora são as dobra de alguns dedos, de pouco se mexerem enquanto teclo.

Dor. Dor só de coisas lembradas ou imaginadas, que não consigo terminar de escrever para postar.

Queria escrever mais rápido. Mais rápido para logo desembuchá-las do teclado e postar. Postar para longe. Para algum lugar do mundo onde sumam. 

Não consigo, e a demora em redigir me aflige.

Ficam essas histórias inacabadas me atormentando rascunhadas.

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Escrever pra quê se hoje eu não quero amor, ódio, nem nada dessas coisas sobre as quais as pessoas gostam de ler? Hoje eu só queria ter sabido, isso mesmo, sabido, que podia dormir em paz, sem expectativas sobre hoje ou amanhã, sem pensar em amanhã (ou em hoje) e chegar em casa pra dormir… dormir… dormir… talvez sonhar…

FM

Between the Devil and the Deep Blue Sea

Hes: Sometimes it’s difficult to judge… when you’re caught between the devil and the deep blue sea.

Mrs. Elton: A lot of rubbish is talked about love. You know what real love is? It’s wiping someone’s arse or changing the sheets when they’ve wet themselves. And letting them keep their dignity so you can both go on.

 

 

 

FM

The edge of… seventeen ?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!

You know, ever since we were little, I would get this feeling like… Like I’m floating outside of my body, looking down at myself… And I hate what I see… How I’m acting, the way I sound. And I don’t know how to change it. And I’m so scared… That the feeling is never gonna go away

Volta e meia me deparo com um destes filminhos pros quais a gente não dá nada antes de assistir. Mas eu sou das pessoas que tentar dar uma chance, mesmo que seja só para completar o checklist do Golden Globes. Ah! Os intelectuais não entendem o que há por trás de comédias românticas e filmes sobre adolescentes traumáticos!

I had the worst thought: I’ve got to spend the rest of my life with myself.

Memórias

Acho que cansei-me, e que já isso é irremediável, de escrever neste tablet. A ideia de comprá-lo há uns três ou quatro anos atrás, para a praticidade de escrever em qualquer lugar, foi boa. Mas hoje, cada vez que o destravo, logo às primeiras letras digitadas, desanima-me lembrar de quanto tempo demoro a escrever e de quanta coisa gostaria de escrever. É até agradável imaginar que penso muito rápido e que sou criativo demais. Infelizmente, não é esse o caso, absolutamente. Sempre escrevi devagar. Mesmo à lápis, na escola, naquele papel pautado quadrado com dois furos na margem. O chamávamos “folha de linguagem”. Um nom que, pensando bem, não faz muito sentido, tirando que as professoras mais antigas chamavam as aulas de português do primário, na verdade aulas de alfabetização, “Aulas de Linguagem”. Tínhamos até cadernos etiquetados como “Caderno de Linguagem”. Eram onde escrevíamos os ditados, copiávamos os textos da cartilha e, no primeiro anos, repetíamos por linha e linhas inteiras, página e paginas inteiras, cada letra, em maiúscula e em minúscula, até lhe decorarmos o jeito para, ao escrever, não ter de pensar na mecânica do lápis e da mão.

Nesse tempo, eu já escrevia devagar. O movimento da mão sempre foi lento, com cuidado para ficar legível. Mas também, eu apertava muito o lápis de encontro ao papel e os dedos de encontro ao lápis. O pulso logo doía, a ligação entre fãs duas ultimas falanges do indicador também. Numa redação de vinte linhas para a Dona Terezinha, isso não chega a ser grande coisa. Terminada, era só chacoalhar um pouco a mão e descansa-lá por alguns minutos até o recreio. Hoje as coisa que quero escreve são mais longas e, se é verdade que a mão está mais treinada, também é que corrigi-las já torna impossível de ser feito no papel com lápis e borracha. Imagine, apagar e reescrever meia página cada vez que percebo que queria por mais um parágrafo, contar algo mais, ente isto e aquilo.

O digital foi um ganho nisso. Muito mais fácil de corrigir (e, cá entre nós, parece-me que também é mais fácil de errar). Muito menos cansativo do que o lápis e o papel. Mais rápido até, embora eu continue escrevendo muito devagar.

O problema são meus rascunhos que crescem e crescem. Multiplicação de anotações, de ideias, histórias, frases soltas e citações. Coisas sobr as quais quero escrever, mesmo que não sejam do interesse de mais ninguém. Cada vez que destravo o tablet e penso no quanto demoro a escrever cada uma delas, desanimo e pego-me pensando em algo que consiga escrever no tempo que tenho. Nada é possível de escrever no tempo que tenho. Tudo, ao final, me parece igual, repetitivo e incompleto. Não consigo imaginar o que era para Dona Terezinha ler quarenta redações seguidas entituladas “Minhas Férias”. Todas escritas sobre o mesmo mês passado em casa assistindo à programação da Globo. Sessão da Tarde. Festival Trapalhões. Salvos os dois ou três que diziam ter passado um fim de semana na praia.

Dona Therezinha tinha paciência para ler e corrigir. Era uma boa professora. Eu já não tenho a mesma para escrever as casas que invento enquanto penso em tantas outras que poderia inventar, sem ao menos saber se alguma delas prestaria.

Continuo escrevendo assim, só o que consigo, por falta de uma ordem nesta minha cabeça atormentada.

Sonhos e Pesadelos

Romeo y Julieta

Romeo y Julieta não estavam juntos, eram na verdade um só. Entremeados e enlaçados um no outro (como se poderia dizer que fazem as lombrigas, se fosse romântico falar em lombrigas), trocavam juras de eternos amor e fidelidade.

Os já mais experientes da vida podem jugar-lhes ingênuos e até deles rir. Afinal de contas, é a reação que todos temos frente às paixões dos jovens. E estes, em particular, são muito jovens.

Ainda assim, seria-nos de admirar, a nós e a ela, a dimensão que essa eternidade, esses “para sempre” e “até a morte”, toma no caso desses dois Julieta e Romeo. Nem Shakespeare, narrador de tragédias e comédias, lhes adivinharia ou fazia tal futuro.

Nem nós, que sabemos da fugacidade do amor e de suas juras, poderíamos conceber que o destino ironizasse essa promessa assim, sem pudor de demonstrar poder.
Tampouco eles, apaixonados, envolvidos pelos encanto que os prazeres sempre hão-de ter aos jovens imaturos, e mesmo aos adultos, adivinhariam que um promessa se cumpriria tão fácil e quase involuntariamente.

Pegá-lhes entre os dedos médio e indicador o Termo. O Termo, feio, velho (muito mais velho que eles), mal-humoradp, barbudo e baforento, fedido a álcool que (não importa o preço ou a marca) é sempre álcool, é sempre barato.

Ele leva-os à boca e toca-lhes fogo. Aspira. Tenta tragar-lhes o que têm. Traga duas, três, quatro vezes e se admira (sem emoção) de ainda estarem unidos numa estátua que já é quase metade carvão.
Entre uma tragada e outra, tenta se distrair soprando no ar, como fuligem, a fumaça grossa que deles tira. Imagina o que seja. Imagina pelas formas que lhe percebe. Nuvem. Fantasma. Chifre. Carrossel. Loucura.

Mais duas tragadas, e a estátua se quebra. As cinzas caem na terra, na grama, e se esfarelam. Já eles não têm metade do peso original.

Duas ou três depois e o que deles resta lhe esquenta o dedo, ameaça queimar. Ele joga então esse toco, ainda queimando, no arbusto, ao pé de uma árvore. Nesse toco, estão enroscados, ainda firmes. Realmente até o fim.

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Post sem Moral da História

O sujeito chega em casa, tarde da noite. Perdeu o jornal, perdeu a novela. Seu time também está perdendo. Durante o dia, no trabalho, uma treta atrás da outra. Já lhe apelidaram de varal, por causa da piada corporativa do varal com caralhos pendurados. A esposa o abraça e enquanto o beija, beijo de três segundos, alcança sua carteira e pergunta pelo pagamentos dos boletos e as coisas que devia trazer, mas não trouxe, do mercado. As crianças o chamam para brincar, cada uma por um braço, e brigam entre si, posto que cada uma quer uma brincadeira diferente. O cachorro, para também entrar na disputa, puxa-lhe a barra da calça com os dentes e acaba por rasgá-la. Toma banho e vai para a cama danado com o chuveiro que estava muito quente e com o choque que tomou tentando mexer.

De manhã, é o primeiro a acordar. Antes mesmo do telefone que só iria tocar às seis. Vai à cozinha, faz um café, amaldiçoando a ramela que incomoda o olho. Senta-se na poltrona da sala pensando no dia maldito que começa. Liga a televisão. Jornal já começou. Segura a caneca do café com as duas mãos e a leva à boca. A alguns dedos de distância, sente-lhe o cheiro. “Ah! Ainda bem que existe café!”