Cinema

Hannah and Her Sisters

“…nobody, not even the rain, has such small hands.”

Este aqui, eu já tinha uns dez ou doze anos quando foi lançado. Me lembro dos comentários depois de passar no cinema aqui.

Naquele tempo, antes da televisão a cabo, os filmes demoravam muito para passar no cinema. Levava tempo para importarem as fitas. Dizem que as fitas que passavam no cinema aqui eram dos cinemas americanos onde o filme já tinha saído de cartaz. Levava três, seis meses, às vezes mais de um ano para, mesmo os filmes mais esperados, estrearem aqui.

Não havia a concorrência da pirataria. Hoje, os camelôs da Augusta têm o filme antes do cinema. E isso porque o lançamento aqui às vezes é feito na mesma semana do lançamento no exterior. Ainda há filmes que demoram por serem menos procurados, mas é diferente.

Quando eu era criança, um filme demorava uns três meses para estrear no cinema, mais quase um ano para ser lançado em vídeo e mais um ano ou dois para ser transmitido pela Globo.

Este aqui, eu já devia ter uns quatorze anos quando ouvi falar dele. Todos que tinham visto diziam que era muito bom. E eu não conhecia ninguém que tivesse visto. Em Osasco, só havia dois cinemas. O Glamour, na João Batista, passava pornô e Bruce Lee. Deus protegesse quem entrasse lá. O prédio, por fora, imundo, a calçada, fedida, já davam nojo. O Estoril, na Salem Bechara, só passava os mais populares, normalmente Trapalhões e Xuxa.

Ouvir falar mesmo, só ouvi falar dele na televisão, citado como exemplo de um filme muito bom. Foi ficando para trás. Quase trinta anos depois, chega sua vez na seqüência do box.

“We all go through life playing the hand we’re dealt.”

Já me disseram que os filmes desse cara são todos iguais. Talvez sejam, mas é engraçado que as mesmas pessoas que me disseram isso gostam de filmes todos iguais também. Me parece que o que eu gosto nos filmes dele, não é exatamente da história principal do filme, mas de coisinhas: modos de olhar, de mostrar, frases, cenas. Montes de coisinhas espalhadas e coladas juntas.

Vi várias desses coisinhas, uma depois da outra, neste. Várias e várias.

somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

— e e cummings

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s