Cinema

Melinda and Melinda

Melinda and Melinda (2004) - Poster
Melinda and Melinda (2004) – Poster

Life can be a comedy or a tragedy, it all depends on how you look at it.

Eu abri o box do Woody Allen na segunda-feira. Ele estava empoeirando sobre a prateleira no canto da sala. São três boxes empoeirando lá: o dos Sopranos, que eu já assisti; o da Audrey Hapburn, que eu comprei porque gostei muito de Breakfast at Tiffany’s, mas ainda não me animei a abrir; e este do Woody Allen.

Este aqui eu comprei porque, embora não tenha gostado dos últimos filmes dele que vi, me lembro de seus filmes mais antigos, das décadas de 70 e 80, que passavam de madrugada na Globo quando eu era adolescente. Foi a época em que comecei a tomar gosto por filmes. Não que seja particularmente fã dele. Ele tem filmes que me divertiram muito e outros que só achei entediantes. Mas naquela época, eu não tinha um videocassete, nem dinheiro pra cinema, não podia escolher, assistia o que passasse na televisão, ou na Bandeirantes, no domingo à noite, no horário que concorria com o Fantástico e o Silvio Santos, ou na Globo, durante a semana, depois do Jô Soares. Eram os horários dos melhores filmes. Da Bandeirantes, os filmes de que mais me lembro de ter assistido são os com trilha do Morricone, Once Upon a Time in America, The Mission, 900, The Untouchables. Da Globo, os do Monty Python e os do Woody Allen são os que melhor lembro.

Eu estudava à note. Chegava da escola, não podia tomar banho à noite porque só tínhamos água de dia. Pegava um prato fundo bem cheio de sopa, o pão que sobrou da tarde, uma jarra de dois litros de chá quente e levava para o quarto, para não incomodar a avó e a madrinha que já estavam na cama. Meu quarto era bem separado dos delas. Foi feito da avó ir morar em Osasco, numa espécie de puxadinho, depois da cozinha, ao lado da copa, que já tinha sido quintal. A parede onde ficava minha cama, tinha ainda a marca do batente da porta antiga, que dava para o quintal e que foi substituída por outra dando para o corredor criado ligando a copa à cozinha, passando pelo banheiro, que antigamente também ficava no quintal.

Eu jantava sentando numa das cadeiras da copa, à mesa antiga de madeira, assistindo o Jô na televisão portátil, preto-e-branco, de válvulas, que meu irmão comprou no ferro velho e consertou. Quando terminava, mudava para a Globo. O Jô, naquela época, era no SBT. Pegava o finalzinho do jornal e logo começavam os filmes.

Eu tinha dificuldade para dormir. No começo, via um pouco de filme, nervoso, ansioso, por não pegar no sono. Depois, aos poucos, por gosto e curiosidade. Isso só foi-me deixando cada vez mais insone e dando-me gosto pelos filmes.

O box tem acho que vinte filmes dessa época. Peguei este porque, pelo nome, não reconheci. Achei que então devia ser o mais antigo. Acabei descobrindo que era o mais novo, desgarrado. Os outros são todos de entre 70 e 93. Este é de 2004. Mas não me martirizei de tê-lo pego fora de ordem. Quem o mandou ser desgarrado afinal?

Esse Melinda é Melinda podia ter sido mais legal. A tagline e a ideia são muito boas. Eu poderia até ter encontrado muita filosofia e auto-ajuda nele. Mas acabou sendo só mais um filme chato. Tudo bem, ainda tem mais quase duas dúzias no box.

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