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Estava muito cansada quando chegou em casa.

Tão cansada que nem tomar banho queria. Mas teve nojo quando imaginou ao sentar-se no sofá a sensação da roupa encharcada de suor na sua bunda contrastando com o sofá fresco.

Só entrou no banheiro, jogou a roupa no chão e sentou-se no box, encostada à parede contrária ao chuveiro, com a água fria lhe molhando. Banho de porca preguiçosa.

Lavou-se sentada no chão, sem sabonete nem xampu, para não ter de se enxaguar, já imaginando o estado do cabelo ensebado no dia seguinte.

Saiu do banho molhada. Sem secar-se. Ia pingando, escorrendo, pelo piso frio.

Na sala, sentou-se no chão da sala, emcostada à parede, para não enxarcar o sofá.

Podia dormir ali mesmo, cansada estava. Mas era caso seu escrever no diário antes de dormir. Todo dia lhe escrevia. Era religiosa nisso. Escrever nele o que lhe havia cansado no dia, era o único motivo de folga que tinha.

Alcançou com a mão a gaveta da mesa do telefone, mas parou ao sentir a mão úmida tocando o puxador e o braço escorrer gelado para o sovaco. Secou a mão e o colo numa almofada que estava próxima antes de abrir a gaveta e pegar o livro e o lápis. Gostava de lápis. Não é definitivo. Pode-se refazer o erro.

Pousou o caderno no colo e o lápis na primeira página em branco. Mas logo desanimou. Tinha de escrever o que lhe aconteceu hoje. Não lhe aconteceu nada. Isso era triste! Só estava cansada!

 

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