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sexta-feira

19:15 – fecho o ponto. agora ninguém mais pode me encher o saco. não estou de plantão neste fim-de-semana. até me ofereci para cobrir o plantão do colega que está de férias, desde que alguém pegasse a noite do sábado. sabado à noite. como não estou no escritório esta semana, o pessoal arrumou a escala sem mim e eu fiquei de fora. começam agora sessenta horas de telefone desligado até a segunda-feira pela manhã.

19:30 – já listei todos os horários dos filmes que ainda não vi, de todos os cinemas onde me prontificaria a ir. os cinemas são escolhidos pela proximidade, pelas opções de restaurantes e, óbvio, pelos filmes. cinemas de shopping não, só raras exceções. prefiro os de rua. tem público menos barulhento e a programação costuma ser melhor.

20:00 – vi alguns trailer. alguns filmes foram descartados por hoje. filme romântico hoje não. nem terror ou coisa do tipo. tem um que eu quero ver, mas tenho medo de que seja ruim como o da semana passada. pelo trailer, tem muita putaria, hoje também não. sobram três. num não vou mais chegar a tempo. vou tentar os outros dois.

20:20 – finalmente, rua. chove. volto para a garagem, pegar o carro. um pouco de trânsito já em frente à igreja, deve ser casamento ou coisa do tipo. não é. é trânsito mesmo. por causa da sexta-feira e da chuva? tudo parado. olho de novo os filmes no telefone. me enganei. onde eu ia, só havia um dos dois. com o trânsito, a tentação de mudar de caminho para ver o outro é grande.

21:00 – com o trânsito anormal, gps me avisa de que há um acidente atrapalhando tudo, resolvi ver o outro, mas errei o caminho e fiquei até agora irritado no meio dos carros quase parados. o gps me diz para fazer o caminho sem passar pelo acidente, mas eu vejo tudo parado nele e carros rodando livres pelo túnel onde houve o acidente. meto-me por ele e logo estou praticamente na porta do cinema do qual eu havia desistido.mas já desisti. agora vou para o outro. até porque o filme daqui começa logo, não teria tempo de jantar. passo pelas ruas que costumo frequentar nos fins-de-semana. é estranho não ficar por ali. mas sigo o gps.

21:15 – cheguei. é noutro bairro, mais distante, mas cheguei logo. nao é um cinema de shopping, mas também não é exatamente de rua. fica num conjunto comercial onde está o escritório de uma empresa onde já trabalhei. fico tentado a ver o filme que escolhi (que sei que nem será tão bom) e mais uma baboseira antes. os horários casam, mas eu desisto porque quero ainda jantar e tomar um café escrevendo algo (que acaba sendo isto). não gosto da aparência de cinema de molecada. já estou nos quarenta. também não gosto de mudanças e este não é o bairro com o qual me acostumei a frequentar nos fins-de-semana. mas a menina da bilheteria é tão simpática que considero voltar.

21:40 – já comprei ingresso, olhei o que há aqui pelo conjunto, o que há na rua em frente. respondi a um garoto na rua que na paralela tem ônibus para o metrô, mas que não sei se é a melhor opção para ele. tenho de escolher onde comer. há dois restaurante. um terceiro, com cara de happy-hour e vários fast-foods. os fast-foods estão descartados. fico com o que parece happy-hour, quero ver movimento, gente conversando e um pouco de barulho. 

22:00 – pedi a comida, petiscos, chope. não sei se devia, na saída do cinema, de madrugada, daqui a quatro horas, vou dirigir. pego o tablet para escrever, mas é estranha a mesa. comida chega logo e desisto dele.

22:20 – sem graça só comer petisco olhando o que acontece, dá pressa. pego o tablet de novo.

22:45 – acabam os petiscos e o segundo chope. garçom tira meu prato. peco o terceiro chope e ponho o tablet na mesa.

23:00 – um moço que chegou agora há pouco na mesa do lado pediu uma taça de vinho. invejo. me arrependo dos chopes. peço o quarto chope e a conta. guardo o tablet para escrever mais no café. olho o telefone para ver se tem algum recado. enquanto olho ele, chega um email da minha amiga. ela está cansada, eu respondo, feliz por ela conseguir me dar um oi antes de descansar. pago a conta, bebo o quarto e último chope, e saio para o café.

23:30 – me sento para escrever mais, no café, com um café filtrado (adoro café filtrado) e um capuccino que pretendo levar para dentro do cinema. já me esqueci qual é o filme. me lembro de que é meia-noite. aliás, um pouco antes da meia-noite, uns cinco minutos antes. um casal numa mesa há uns cinco metros da minha se beija. beijo de casal novo, que ainda não se conhece e ainda se deseja. morro de inveja, mas tento não olhar. vários casais de garotos se reúnem conversando aqui na porta. não sabia que este cinema tinha esta frequência, assim neste horário. ao menos, pelo pouco que me lembre, não vou ver filme de ação, nem de namorados. bebo meu café, vendo o pessoal que sai, não sei que filme cada um assistiu. mas me admiro, bobo eu, de tanta gente diferente sair da mesma sessão. e é assim em cada sessão que termina.

23:40 – vou ao banheiro. na verdade, já tinha ido antes, quando sai do restaurante. vejo uma menina fumando. um casal de meninas, uma fuma. tenho vontade de fumar um charuto. volto para minha mesa e, no caminho, vejo uma menina, também já a havia visto antes, sozinha. deve ter tomado bolo. não é particularmente bonita, é normal. ninguém merece tomar bolo. ela percebe que eu olhei e eu volto para a mesa escrever, pensando em onde poderia fumar meu charuto.

23:58 – já se passaram três minutos do início da sessão. entrei, sentei, mas peguei meu tablet para escrever o que vi enquanto fumava meu charuto. o segurança disse que, por regra, eu tinha de fumar na calçada, mas que, se ninguém reclamasse, ele faria vistas grossas para eu fumar no jardim. eu disse que não havia problema e fui fumar atrás do ponto de ônibus olhando o movimento. vi uma menina no ponto fumando cigarro e bebendo uma lata bem grande de cerveja. outra, quase bonita, mas com algo de bem atraente (talvez a calça amarela justa) rindo, atirando as cantadas do menino que parecia seu colega de trabalho. vi outro garoto perguntar de ônibus para o metrô. Lembrei-me de que este é o bairro onde meus avós viveram e o de minha mãe foi criada e das histórias que ouvi de todos. Lembrei-me de que trabalhava aqui quando me casei e que pensei em morar aqui também. Tive saudades de tudo e fiquei triste. vi passar um casal, a mulher está grávida, riam fingindo discutir. chegou outro casal no ponto. joguei o foco do charuto nas plantas enquanto passavam umas meninas bonitas que estavam no restaurante onde jantei. entrei no cinema, no meio dos trailers. mas corri terminar de escrever isto. o filme começou com destruição, gostei disso. terminei o post pelo telefone. antes de guardar, conferi os emails de novo. 

2 comentários em “sexta-feira”

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