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Tanta coisa faz-me falta, tanta coisa! Tantas coisas, muitas mesmo, que nunca tive! E na, minha idade, isso já é um problema. É quando percebemos que o tempo passou e (o que ainda não tivemos) não teremos mais. Há muitas músicas sobre isso. Lady Let it Lie do Fish me vem logo à cabeça. Mas as letras do Fish sempre vem vêem à cabeça. Há outras, de outros autores. Livros, poemas, posts no Twitter e no Face, textos em blogs e artigos. Eu sei que o sentimento não é privilégio meu. Isso conforta. É um pouco de conforto em se sentir normal na frustração comum. Já as coisas que tive e acabaram são as que mais fazem falta. Elas deixam a lembrança do gosto, do cheiro, do calor de algo. Às vezes, alguma coisa acontece (déjà-vu?) e aquela lembrança vem, não à cabeça, não à memória do pensamento. Ela vem a outros sentidos. Àqueles que não existem na ciência. E, quando muito reais, à pele, arredias ao tato, sentimos só seu calor. A fonte não está ali aos olhos ou ouvidos. Muitas vezes (na verdade, quase sempre) nem lembramos de onde vem. Eu fecho os olhos e não tenho mais nem a imagem da pessoa ou do evento. Mas sei como é. Só resta, de olhos fechados, imaginar. Imaginar alguém, algo, quando, onde. Nem sempre isso tudo é relevante. Imagino só o relevante. É o relevante é tão pouca coisa! E de viver essa imaginação, ela se torna real e deixa lembranças como as outras. Lembranças que se desmembram em sentidos e ficam guardadas. Um dia, uma dessas lembranças (ou várias?) e as frustrações a ela associadas são também acordadas por um déjà-vu. Me lembro de escrever algo sobre o que foi despertado, sobre essa nova encarnação sensitiva. Ultimamente, tenho deixado isso pra depois. A pouco, saí do cinema, olhos úmidos. Algumas cenas me desviaram a atenção do filme, me fizeram criar uma história minha própria. Quis escrever. Tinha de ser uma música. Invejo (invejo mesmo, com tudo o que há de bom e ruim nesse sentimento) quem escreve uma letra de música. Quem tem quem a cante ou para quem a cantá-la. Invejo. Algumas coisas não podem ser escritas sem música.

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