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Café com Empadinha

Eu sou daqueles que gostam de tomar café da manhã na padaria todos os dias. Podem me dizer que engorda, mas não consigo passar sem dois pãezinhos com manteiga ao acordar. São o sinal para meu corpo de que o dia começou e ele pode finalmente acordar.

Não gosto de acordar cedo (nem de dormir cedo, é verdade). Acordar cedo, para mim, é acordar antes das dez. Se a hora do relógio tiver só um dígito, isso para mim é cedo. Mas durante a semana, trabalho, sou obrigado a acordar de madrugada, ente seis e seis e meia. Acho isso uma aberração criada por nossa cultura nos tempos em que não havia luz elétrica e tínhamos de usar cada segundo de sol. Cento e tantos anos e ainda não nos livramos dessa aberração de costume!

Uma coisa que aqui em São Paulo eu não vejo, mas vi muito numa época em que morei no Rio, é as pessoas lambuzarem a colherinha do café na manteiga do pão antes de mexê-lo. Eu acho nojento!

Mas aqui vejo outras coisas. Por exemplo, sete horas da madrugada, sentado no balcão da padaria, segurando com sono o pãozinho, preguiça até de pedir o que quero (ainda bem que o pessoal da padaria já me conhece há uns dez anos e me serve sem eu precisar pedir), ao menos uma vez por semana, sou pego pelo cheiro de tempero doce e carne moída de alguém comendo esfirra.

Não entra na minha cabeça que alguém coma esfirra no café da manhã. Às vezes, o sujeito bebe refrigerante e eu imagino que tenha trabalhado à noite e esteja fazendo um lanche antes de ir para casa descansar. Mas quando é alguém que toma café com leite junto com a esfirra? Não entendo. Só posso teorizar. Deve ser banguela, não consegue mastigar o pão, quer algo quente, pede a esfirra. Mesmo assim, as teorias me parecem sempre elaboradas demais.

Se eu não precisasse nunca acordar cedo, não teria a curiosidade sobe o segredo de quem faz essa escolha para o desjejum. Nos fins-de-semana, normalmente, não preciso. Tomo café quase meio-dia e, aí, qualquer coisa que veja me parece normal. Quase qualquer.

Tem aquele salgado, a empadinha, já gostei daquilo. É uma mini-torta de massa podre (olha o nome!) com recheio de mingau de palmito. Massa-podre nada mais é que um monte de farinha e sal moldados com gordura vegetal hidrogenada. Eu falo disso com nojo, mas antes de ter consciência de do quê é feito, gostava muito. Opa, como gostava! Hoje não consigo mais comer. A consciência me entala o salgado na garganta na hora de engolir.

As empadas daqui da padaria são muito famosas. Hoje, sentada ao meu lado no balcão, uma mulher, bonita por sinal, pediu um café e uma empadinha. Estou aqui pensando, se fica bom, por que ninguém nunca tentou adicionar café à massa? Essa foi novidade.

Eu tive de me virar um pouco no banco para não vê-la comer. Engraçado, acho que a idade está me deixando fresco. Só de imaginar o gosto que ela sentia, minha boca secou e eu não consegui mais engolir. Tive de começar a escrever isto, para me distrair e conseguir terminar o café depois de ela ir embora.

É engraçada essa história de gostos…

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