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Coruja

Estava ao lado do meu carro no estacionamento. No chão, fuçando ao lado da guia, uma espécie de sarjeta que há ali. Me pareceu, a primeira vista um pano rasgado, enrolado. Mas depois vi que era uma coruja.

Coruja no chão é coisa inusitada. É o tipo de bicho que a gente espera ver à noite, em cima de uma árvore, parada, com a cabeça toda virada para trás. Não de dia, fuçando a sarjeta.

Eu tive medo. Não dela. De atropelá-la ao sair com o carro. Fiquei de longe e olhei o que fazia. Ela não demorou. Pisava em algo que tinha na ponta do bico. Soltou o bico, olhou para cima e espreguiçou o pescoço, chacoalhando a cabeça para os dois lados. Pegou de novo o brinquedo, com o bico. Não era um brinquedo, seria jantar, um camundongo. Coube em seu bico como se estivesse preso num alicate.

Ela então deu um pulo, sobre a guia, para a calçada entre as duas fileiras de carros e, de lá, voou. Foi para as árvores, do outro lado da avenida. Devia ter um ninho lá. Voltava para casa com a janta no fim do dia.

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