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(genérico de) Sessão da Tarde (mas é quarta-feira à noite)

É engraçado perceber que não são muitos os temas que nos deixam felizes. Cada um tem sua meia dúzia. Percebo qual a minha meia dúzia quando me sento para escrever. Na verdade, é quando percebo que são meia dúzia, ou oito, ou dez, não muito mais que isso. Por isso eu tanto repito temas. Pode causar enfado a quem lê, mas hei de ser perdoado. Somos assim, gostamos de retornar ao que nos apraz. Às vezes, e muitas são as vezes, eu mesmo me irrito com as repetições. Mas elas são inevitáveis.

Agora, por exemplo, estou escrevendo uma história sobre cinema, dessas que parecem página de diário. Já postei outras do tipo, várias outras. Estou demorando para escrevê-la porque o tempo anda corrido, eu ando correndo o tempo. Comecei a escrevê-la final de agosto, o primeiro rascunho, na verdade menos que um esboço. Só agora estou próximo ao final, e não são mais que duas mil palavras, coisa curta.

Ainda assim, acabo de sair do cinema, é a época da Mostra Internacional de São Paulo, e, já lá dentro, duas coisas incríveis aconteceram que eu não consigo deixar de anotar para escrever mais uma ou duas histórias. Prefiro que sejam duas, para separar bem os motivos.

A primeira foi entrar numa sala de cinema onde eu achei nunca ter entrado antes e reconhecer uma sala antiga muito saudosa minha e que eu julgava demolida, mas que pelo visto foi conservada e reformada, e reaberta com outro nome, com entrada por outro lado. Não pude evitar as selfies e andar por ela feito bobo, reconhecendo detalhes, muitos detalhes, conservados do original. Está ainda quase tudo lá. Eu ainda vou esboçar, rascunhar e escrever.

A segunda foi assistir um filme que me surpreendeu pela simplicidade, pela despretensão, por repetir-se como eu. Um filme que talvez, noutra época, não tivesse me agradado, que talvez encaixasse bem na Sessão da Tarde. Eos que gostam da Sessão da Tarde irão protestar aqui. Mas que me fez sorrir várias vezes, e quase chorar uma ou duas. Me fez pegar meu caderno e anotar umas quatro páginas de frases para pesquisar depois, o nome do livro em que foi baseado, as musicas. E eu torci para o final que era óbvio, mas que em certo momento temi frustrar-se.

Preciso comprar o livro, ler, rabiscar e anotar.

Ainda vou escrever sobre isso também. Acho que até com mais carinho. Mas, por enquanto, vou só ficar aqui, sentado, tomando meu chá e pensando que às vezes é só disso que a gente precisa pra ser feliz: uma história de Sessão da Tarde.

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