Uncategorized

Afoguei-me

Afoguei-me,
completa e inevitávelmente,
no castanho de teus olhos.
Eles não têm outra culpa
que estarem no rosto onde estão,
iluminarem teu sorriso,
que de tudo é a luz.
Porteiros que são de tua alma,
deixam-me vê-la de longe.
Ao aproximar-me,
envolvem-me como uma onda alta,
fluida, morna, aconchegante,
do oceano castanho que me encanta.
Desmaiando de conforto,
pareço perder a consciência
que não tenho.
Imagino o azul,
do céu lá fora,
a luz e o calor do sol
que ilumina o dia.
O resto do mundo nesse azul triste.
Eu aqui, feliz, envolto e embalado,
pelo oceano mais lindo que pode existir.
Quando meus olhos se fecham,
é porque, ofuscados,
não sei mais se este calor
que sinto na pele,
é meu ou teu.
Tenho medo de abri-los
e descobrir que não somos um só.
De olhar para o lado errado,
ver algo mais,
talvez o azul do céu,
e esquecer,
por um instante que fosse,
o lindo castanho
onde amei me afogar.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s