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“Mata! Mata!”

“Mata! Mata!”

Eu fico imaginando quantos crimes absurdos já não foram cometidos por frescuras como essa. Matar? Matar algo que entrou voando pela janela só porque você tem medo do que seja.

Eu segui o bicho com os olhos. Foi difícil. Ele voava irregular, em zigue-zague, em juntos às luzes que rodeiam a sala. Perdi-o de vista algumas vezes, quando achava, ele logo sumia de novo.

Por fim, posou na cortina, junto à janela por onde entrou, era um marimbondo.

“Mata!”

A irmã já devia saber que eu não mato bicho. Nem encosto, tenho aflição, medo de machucá-lo. E também que não gosto de histeria. “Cala a boca” Vai se trancar no quarto e pára de gritar. Senão eu jogo ele dentro da tua roupa.”

O marimbondo não vai atacar ninguém. Mesmo que atacasse, olha o tamanho dele, no máximo vai deixar uma urticária no lugar da picada. Dobrei a cortina por cima dele, para não fugir. Pela renda da cortina, dava para vê-lo quase imóvel. Preso como em rede de pescador.

Com a outra mão, abri todo o vidro da janela. Fiz força, era grande, pesada, de metal e vidro grosso. E a pintura atrapalha corrê-la. Enfiei a parte dobrada da cortina para fora, por entre a grade e chacoalhei.

O bichinho foi embora, nem vi. Olhei para fora, para a janela toda. Conferi a cortina para ver se não estava agarrado ali. O chão, ver se ele não caiu para dentro. A irmã já veio correndo.

“Matou?”

“Joguei pela janela.”

“Ai. Ai. Por que não matou? Seu #&!@$ Ele vai voltar! Da próxima vez, eu mato com inseticida.”

“Marimbondo não vai morrer com inseticida.”

“Eu vou pegar a vassoura e derrubar aquele ninho deles que tem na atrás do teu quarto.”

O tal ninho era uma colmeia. Grande, do tamanho de uma bola de futebol. Quando chega a um tamanho desses, é questão de tempo até que não agüente o próprio peso e caia sozinha.

Não é o tipo de coisa que se tire com vassoura. Chamamos os bombeiros já, eles que tiram. Disseram que estava longe das janelas, virado para trás do morro, era muito alto, e não oferecia perigo. Que não precisavam tirar, então tínhamos de deixar lá.

“Cadê a vassoura.”

“Eu vou passear. Liga pros bombeiros se você precisar que te levem pro Pronto-Socorro.”

 

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