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Horto

É engraçado, mas, das minhas férias todas, acho que este foi o melhor passeio.

Cheguei ao Horto, o funcionário da guarita puxou dois minutos de conversa. Ele fica ali isolado na estrada, sente falta de com quem conversar.

Estacionei. O caminho até o estacionamento é estranho, complicado, mas cheguei sem problemas e estacionei, sem perceber perto de umas capivaras que pastavam.

O parque parece bem cuidado, mas a sinalização não é tanto. A placa indica a loja, as trilhas e o café. Escolho uma trilha, não a maior, está fechada, mas uma diferente e também grande. E é pro café que eu vou primeiro.

Tomo um café, dois, olhando esta parte construída do parque. Tem caramanchão, brinquedos, uma capela, outras casas.

Vou para a trilha. Ela não se parece com o que eu pensei. É muito estreita, parece como se eu estivesse no caminho errado. Um latido de cachorro me assusta, não o esperava. Penso em voltar, mas, no sentido inverso, aparece um policial. Ele me cumprimenta naturalmente e segue por de onde eu vim. Se ele veio dali e não estranho de eu ir para ali é porque eu não estou fazendo o caminho errado. Continuei.

Uma esquina, uma subida que parece escada, então a trilha fica estreita como não imaginei que pudesse ser. Não vi graça. Não via o sentido de andar numa trilha tão difícil para ver os troncos cheios de parasitas e samambaias.

Mais de meia hora de caminhada, havia uma e meia ainda, pela previsão do mapa na entrada. Só subida, eu já considerava voltar. A trilha se alargou um pouco, muito pouco, num ponto alto demais, onde o barranco já não permitia que a vegetação a fechasse dos dois lados. De um lado havia árvores um paredão de terra queimada pelo sol. Do outro…um pequeno vale, distante lá embaixo, cortado por uma linda corredeira. Ouvia-se o barulho da água. De ao menos três cachoeiras. Cortavam o verde das árvores. Achei lindo.

Terminei a subida. Lá do alto, ainda se via mais e melhor. A trilha ali já era muito estreita, o barranco íngreme. Não dava para duas pessoas passarem lado-a-lado por mais abraçadas que estivesse.

Sentei-me ali. As pernas jogadas pela beirada do barranco. Eram uns trezentos metros se caísse dali. Deixei a bolsa do lado, abri-a e peguei meu lanche, um livro, o telefone.

Com o telefone, tirei algumas fotos e pus uma música para ouvir. Era hora do almoço. Passei a tarde sentado ali, lendo meu livro e comendo o lanche do almoço — duas frutas, um pedaço de pão, um de queijo e chá gelado. Sem pressa, o lanche demorou a tarde todo.

O livro sobrou. A cada trecho que inspirava reflexão, fechava-o, o dedo marcando a página, e punha-me a pensar olhando o verde e a água e ouvindo o barulho das cachoeiras.

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