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Complexo de Édipo (e de Jocasta, e de Laio)

O complexo de Édipo não foi ter se apaixonado pela própria mãe. Isso foi coisa do coração, ajudada pelo destino, nisso ninguém manda. Desconhecendo ser ela sua mãe, não podemos condená-los pelo incesto que não sabiam. O assassinato do pai já são outros quinhentos, Édipo não precisava conhecê-lo para saber que é errado matar alguém.

Mesmo assim, o embate com o pai e o casamento com a mãe, eventos fortuitos pela forma como o mito nos é contado, não representam um comportamento deles que possa ser extrapolado.

O verdadeiro complexo de Édipo, e não só dele, também de Jocasta e Laio, foi achar que basta virar as costas ao destino.

Não sei se continuo acreditando no mesmo que antes. Que o destino, ou o que eu chamo de destino funcione do mesmo jeito. Ainda acredito que tudo caminha para que coisas boas aconteçam. Que pode haver alguma conspiração, não sei de quem, mas para que as coisas corretas aconteçam. Ainda carito, sobretudo, que algumas coincidências são muito estranhas e oportunas para serem só coincidências. Nisso ainda acredito, e tenho que acreditar. Seria estranho certas coisas acontecerem sem propósito, acabarem num caminho sem saída.

Destino não se combate, é inútil. Há de deixar seguir, como um rio para o mar. Não adianta remar de volta. Mas não se pode ficar passivo. Se o rio nos leva para o mar, vamos remar para o mar. Ele, o mar, pode ser lindo! Ou não, ainda não o conhecemos. Se por ventura, a gente se engana, ou o destino se engana, e não é isso que tem de acontecer, se não é para o mar que corre o rio, ele mesmo, o destino, a correnteza, vai ajudar a chegar no lugar certo, seja ele qual fôr. Damos uma mãozinha, para que fique o mais certo possível.

Com o remo nas mãos, não fugimos, não há ré. Pegamos a melhor bifurcação, evitamos as pedra, mantemos o equilíbrio. Ainda assim há perigo, há a gravidade, os obstáculos, pedras, galhos, saltos, e a correnteza. Mas há o remo, escolhemos, dentro do possível, o caminho até lá, tentamos evitar os golpes. Esses talvez sejam evitáveis.

O destino talvez seja inevitável, talvez não, mas ainda acredito que haja algo que teima em nos mostrar o caminho certo, conspirará para que coisas boas apareçam no horizonte. Elas aparecem.

Não nós esqueçamos de remar, para elas.

2 comentários em “Complexo de Édipo (e de Jocasta, e de Laio)”

    1. Às vezes, quando estou muito, muito triste mesmo. me imagino deitado em algo sobre água, uma canoa talvez. Mas, na minha cabeça, é como estar repousando em mãos ou braços em que confio e me deixando levar. Como é imaginação, sempre sou levado para onde quero, não preciso ter medo.

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