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A Pomba

tatuagem-pomba-de-paz

Havia uma pomba atropelada no meio-fio.

As crianças se juntavam olhando com piedade. Não estava morta, mas via-se que não havia como salvá-la. Uma menina chegou com uma caixa de sapato:

“Vamos levar ao veterinário para sacrificar.”
A dor que ela estava sentindo, ela não merecia sentir até que a pusessem na caixa (e isso faria doer ainda mais) e arrumassem um jeito de levá-la ao veterinário (qual? onde? quem?) Não deixei. Peguei uma pedra grande e, sem que a bichinha percebesse o que ia fazer, segurei a emoção e bati-lhe com força na cabeça.

As outras crianças, ficaram atônitas por poucos segundos com a violência. Eu mesmo fiquei. No retorno a mim, foi difícil segurar o choro, mas segurei. Os outros, quando voltaram a si, a maioria me xingou, alguns entenderam ou fingiram.

Com o estômago embrulhado, fui embora, cabisbaixo, revoltado comigo também. Não dei satisfação a ninguém, não adiantava. Mas tenho certeza de que a pomba entendeu e, lá em cima, agradeceu ou perdoou.

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